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Apartamento com planta livre tem mezanino e cozinha aberta

  • 05 de abril de 2013
  • 12h04

Depois de arrematar na planta um apartamento com características especiais – o prédio traz a grife do escritório Triptyque e suas unidades são diferentes umas das outras, inclusive na metragem –, um casal de São Paulo coroou a decisão com a escalação de arquitetas jovens e de pegada contemporânea para definir os interiores. Era fundamental contar com bons profssionais neste caso, pois o apartamento pertence a um dos raros empreendimentos novos que investem na planta livre, sem divisões internas preestabelecidas. Além de ser amiga de uma das integrantes do estúdio escolhido, a dupla Renata Pedrosa e Isabel Nassif conhecia suas obras e aprovava sem ressalvas o que havia visto. Não foi complicado, portanto, acatar as sugestões das três moças quanto a valorizar o pé-direito duplo do imóvel, instituir outro quarto além da suíte, apostar numa cozinha integrada e adotar divisórias fexíveis. Coube à construtora preparar os pontos de hidráulica e elétrica, montar o mezanino metálico e erguer as paredes de drywall defnidas pelas arquitetas. Terminada essa fase, a conclusão da obra com a empreiteira levou seis meses.

As limitações do sistema

Concebido para acomodar diferentes modos de vida, o tipo de planta em que o dono decide a divisão interna do imóvel sem ficar limitado à estrutura é um dos princípios da arquitetura moderna. Hoje, faz parte do portfólio de poucas construtoras no país. Tal flexibilidade, no entanto, não é total: ela deve se acomodar às peculiaridades do sistema construtivo adotado. Aqui, entre as mais importantes, destacam-se as janelas: foi preciso impedir que as paredes coincidissem com elas, o que reduziu as opções de distribuição dos espaços. Outro aspecto digno de nota diz respeito à rede hidráulica, que desce pela fachada do prédio em vários pontos para que se possa localizar cozinha, banheiro e lavanderia em qualquer canto da moradia. Mas ligá-los à prumada exigiu que os ramais de esgoto passassem por fora das paredes e que os ralos fossem dispostos acima da laje (geralmente embutidos num degrau na área do boxe). Os pontos de luz acabaram fcando quase todos nas paredes. “O sistema supunha que o cliente faria um forro para embutir a iluminação no teto, mas nós não quisemos usar gesso”, diz a arquiteta Renata Pedrosa.

Desenhada pelas arquitetas Isabel Nassif e Renata Pedrosa, a grande bancada de Corian branco da cozinha (da DuPont, fornecido pela Kitchens) se prolonga numa mesa com tampo do mesmo material. É ali que se acomodam as visitas, reunidas para conversar e comer. A escada é um modelo oferecido pela construtora, personalizado com um guarda-corpo mais delicado. Aqui e ali, arandelas (Reka) ajudam a iluminar – os pendentes são raros no pé-direito de 5,54 m.

Cercado por portas de correr de madeira laqueada, o quarto extra ganha fexibilidade para acolher as visitas e servir de home theater (a TV gira sobre uma haste). “O aparador de argamassa armada sob a escada foi feito por especialista: a Onofre Móveis”, conta a arquiteta Isabel Nassif, do Sub Estúdio.

Uma estrutura de aço apoia o andar superior. A rede de esgoto que serve o banheiro passa por baixo da laje do teto da cozinha e fca escondida pelo gesso. Esse é o único ponto do apartamento onde há forro.

Localizado no mezanino, o quarto do casal inclui um escritório e é fechado por duas folhas do tipo camarão (de aço corten envernizado). Eletrodutos no teto permitiram instalar alguns pontos de luz no alto e manter o concreto da laje aparente. Projeto das arquitetas Isabel Nassif e Renata Pedrosa, do Sub Estúdio.

No banheiro, ralos e canos fcam embutidos num degrau no compartimento do boxe, forrado de mármore venatino carrara e pastilhas cerâmicas (2 x 5 cm) da Jatobá.

Os moradores preferem conviver com a luz e a paisagem paulistana em vez de tapá-las, por isso as enormes esquadrias prescindem de persianas. Tacos do tipo palito de cumaru cobrem toda a área social (incluindo a cozinha), no nível inferior, e também o quarto, no mezanino.

Desenhar a planta do zero trouxe oportunidades e desafos às arquitetas do Sub Estúdio. Para não comprometer o maior charme do imóvel, seu pé-direito de 5,54 m, elas definiram que o mezanino seria o mais aberto possível. Nele surgiu a suíte do casal, que inclui um escritório com vista para a sala; logo abaixo inseriram outro quarto, com portas de correr em vez de paredes.

No layout, cuidaram para que ambos fossem bem iluminados, já que janelas têm posição e desenho irregulares. A cozinha nasceu grande e integrada à sala. Detalhe: embora tenha apostado nos empreendimentos do tipo customizáveis (nesta rua há três edifícios do gênero da mesma construtora), hoje a empresa oferece apenas opções de plantas prontas (apesar de os interiores dos apartamentos continuarem 100% fexíveis em caso de reforma).

Fonte: Casa.com.br