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Arquitetos Belgas Fazem Arte em Igreja

  • 27 de novembro de 2013
  • 12h11

“Lendo nas entrelinhas” é um projeto da dupla Gijs Van Vaerenbergh, uma colaboração entre os jovens arquitetos Belgas Pieterjan Gijs (Leuven, 1983) e Arnout Van Vaerenbergh (Leuven, 1983). Desde 2007, eles vem realizando projetos projetos no espaço público, que começa na formação arquitetônica de ambos, mas com uma intenção artística. Os projetos nem sempre são fora da iniciativa do cliente clássico, por exemplo, e eles recebem um grande grau de autonomia. Suas principais preocupações são a experiência, reflexão e um envolvimento físico com o resultado final e com a chegada do espectador.

“Lendo nas entrelinhas” faz parte da “Pit”, uma trajetória artística com obras de cerca de dez artistas da região de Borgloon-Heers (na província flamenga de Limburg). ‘Pit’ será a primeira parte do projeto de exposição Z-OUT, ​​uma iniciativa em que Z33, o museu de arte contemporânea da cidade de Hasselt, apresenta a arte no espaço público. Em 24 de setembro o Gijs Van Vaerenbergh revelou uma construção na paisagem rural que é baseado no projeto da igreja local. Esta ‘igreja’ consiste em 30 toneladas de aço e 2.000 colunas, e foi construída sobre uma fundação de concreto armado. Através da utilização de placas horizontais, o conceito da igreja tradicional é transformado numa peça transparente de arte.

Dependendo do ponto de vista do espectador, a igreja ou é percebida como um enorme edifício, ou se dissolve – parcial ou totalmente – na paisagem. Os espectadores que olham de dentro da igreja para o exterior, por outro lado, assistem a um jogo abstrato de linhas que remodela a paisagem circundante. Desta forma, tanto a igreja quanto a paisagem podem ser consideradas parte do trabalho – daí também o seu título, o que implica que ao ler entre as linhas, deve-se também ler-se nas entrelinhas. Em outras palavras: a igreja faz a experiência subjetiva da paisagem visível, e vice-versa.

‘Ler nas entrelinhas’ pode ser lido como uma reflexão sobre temas de arquitectura, como escala, o plano terreno, etc, mas o projeto também enfaticamente transcende o rigor arquitetônico. Afinal de contas, a igreja não tem uma função bem definida e se concentra em experiência visual em si (pode-se até considerar que seja uma linha de desenho no espaço). Ao mesmo tempo, a construção demonstra que esta experiência é na verdade uma consequência do projeto, uma vez que refere-se explicitamente às várias fases da sua concepção: o desenho, o modelo… Além disso, por a igreja não cumprir a sua função clássica, pode ser lido também como uma reflexão sobre o atual vazio nas igrejas da região (e seu potencial de reutilização artística).

Todas essas camadas se fudem em uma obra que está aberta a várias leituras, desde uma arquitetônica até uma artística. Ao mesmo tempo, “Lendo nas entrelinhas” é uma intervenção espacial acessível, que dá, dentre outras coisas, uma experiencia visual inesperada aos ciclistas da região.

Fonte: Archdaily
Tradução: Angélica Marinho