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As clássicas poltronas de Arne Jacobsen

  • 20 de agosto de 2012
  • 19h08

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Fonte: Mobly Design

Quando um dinamarquês que mal falava inglês e que acabara de sair da capital dinamarquesa, Copenhagen, foi o escolhido em 1958 para projetar o novo prédio da tradicional Universidade de Oxford, um eminente arquiteto mandou uma carta para o jornal londrino The Times acusando o fato de ser o pior acidente na arquitetura britânica desde o século XI, quando a tarefa de reconstruir a Catedral de Canterbury foi confiada a um francês. O crítico que mandou a carta? Ninguém se lembra dele. Quem projetou a catedral? Arne Jacobsen, um dos mais influentes arquitetos e designers do século XX.

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Um detalhista que exigia a perfeição a um extremo que chegava a beirar a loucura, Jacobsen acreditava que cada tijolo em um prédio, cada puxador em um armário, precisava ser harmônico. Com carta branca do governo britânico, o dinamarquês controlou cada aspecto do projeto – do tom de cinza das cortinas até a altura dos cedros que circundariam o novo campus, passando pelas espécies de peixes que habitariam o novo lago. O resultado é um prédio coerente e perfeitamente proporcional, dialogando com maestria com a paisagem. Arne Jacobsen levava sua obsessão com detalhes para qualquer projeto que estivesse trabalhando, seja um prédio de 25.000 m², seja uma cadeira de 90 cm. de altura.

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E as cadeiras e poltronas que desenhou foram tão reconhecidas quanto os prédios que projetou e foram consagradas como grandes marcos do design enquanto o dinamarquês ainda estava com vida, fato raro para a arquitetura e mais ainda para o design industrial. Inspirado pelo trabalho dos grandes designers americanos Charles e Ray Eames, Jacobsen começa a se dedicar às peças de mobília no começo da década de 1950.

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Seguido o mote do historiador italiano Ernesto Rogers de que “o design de cada elemento é igualmente importante, da colher até a cidade”, finaliza em 1951 a Ant Chair (Cadeira Formiga), peça que daria origem a icônica Series 7 Chair (Cadeira Série 7). Perfeitas para o estilo de vida moderno, ambas as cadeiras são leves, compactas e com um desenho invejável. A Cadeira Série 7 rapidamente tornou-se uma das peças mais icônicas do século XX e começo do XXI, aparecendo na novela EastEnders, da BBC. Ainda foi imortalizada pela bela Christine Keeler, modelo inglesa que em 1964 teve um affair com o primeiro-ministro britânico resultando na queda do governo do partido Conservador. Keeler foi fotografada por Lewis Morley em um ensaio em que aparecia nua, coberta apenas pela Series 7 Chair, em perfeita sinergia entre beleza feminina e design. Permanece até hoje como uma das fotos mais replicadas da História.

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No final de 1950, Arne Jacobsen teve a chance de mostrar toda sua genialidade e teorias de arquitetura e design integrados com o hotel Radisson SAS, em sua cidade natal, Copenhagen. Para acompanhar o arranha-céu de aço e vidro e a icônica escada de cerâmica em caracol, Jacobsen projetou outras duas peças: Poltrona Swan e Poltrona Egg. As formas orgânicas repousam em uma haste de aço inox, segurada por uma base de quatro pés. É uma das peças de mobília mais clássicas do mundo e não é a toa que é a forma escolhida pela Mobly para compor seu logo. A mobília do hotel é composta inteiramente por cadeiras que Arne projetou, junto com um conjunto de talheres que mais tarde seria o escolhido por Stanley Kubrick no clássico 2001: Uma Odisseia No Espaço.

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Alguns meses antes de sua morte, em 24 de março de 1971, Arne Jacobsen concluiu que “o fator fundamental é a proporção. Proporção é precisamente o que faz com que os templos gregos antigos sejam tão belos… e quando olhamos para alguns dos edifícios mais admirados do Renascimento ou do Barroco, vemos que são todos bem proporcionados. Essa é a questão essencial”.