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Casa Costa Esmeralda, Argentina.

  • 14 de dezembro de 2012
  • 17h12

Fonte: ArchDaily

O lugar

Este foi o primeiro trabalho na Costa Esmeralda, um empreendimento imobiliário que começou em 2004, vizinho à Pinamar. Por ser um loteamento recente, no momento existem poucas construções realizadas e o lugar se destaca por possuir diferentes tipos de paisagens, com vegetações que variam desde os bosques de pinheiros, de características similares ao bosque de Mar Azul, a setores nos quais a vegetação é muito escassa.

Por sua vez, a topografia também apresenta diversas situações, existindo áreas planas, inclinadas ou elevações com grandes pendentes, dado que este lote foi realizado sobre uma área de dunas costeiras.

O lote

O lote apresenta, como dados mais relevantes, uma leve depressão ao centro e um fila de acácias de aproximadamente três metros de altura paralela à linha de frente. Estas duas características são muito interessantes, dado que tanto a depressão como as acácias conferem privacidade ao interior do terreno, o qual é um privilégio levando em conta a baixa densidade do bairro que deixa muito expostas as poucas edificações existentes.

O clima

O clima foi um fator determinando na geração do projeto, dadas as condições particulares desta área da costa marítima e deste lote em particular. Trata-se de um clima rigoroso, as temperaturas são elevadas durante o verão já que a radiação solar incide diretamente pela ausência de vegetação, e os invernos são frios, úmidos e com ventos.

O pedido do cliente

O cliente solicitou o projeto de uma casa de veraneio com a estética e as vantagens, quanto à manutenção, das casas de concreto construídas em Mar Azul.

A residência deveria contar com dois dormitórios, mais um terceiro de uso esporádico: para receber a visita de um filho maior ou de eventuais convidados.

A calefação deveria ser resolvida mediante a utilização de ar condicionado de ar frio-quente, já que o cliente é fabricante destes equipamentos.

A organização funcional

O acesso

O acesso a casa é resolvido sobre o nível elevado da planta principal, de modo que deve salvar a diferença de meia altura existente entre o nível da rua e o nível de acesso. Esta diferença está garantida, em primeira estância, por uma escada próxima à rua que continua na ponte que cruza as acácias, permitindo o desfrute do caminhar entre elas e a chegada à porta de entrar no nível superior. Se projetou também uma segunda escada que vincula o semicoberto com o setor de acesso à planta principal.

Os dormitórios

Duas suítes estão num volumen prismático no nível do terreno. Tal volume se abre para o interior do lote com carpintarias de piso a teto para gozar das vistas a natureza circundante, em troca as aberturas se voltam menores para a empena sudoeste, onde está localizada a circulação que conecta uma escada que conduz à planta principal da habitação.

Também foi pedido um terceiro dormitório de uso esporádico para receber ao filho maior ou eventuais visitas. Resolvemos que este formaria parte do espaço principal da casa com a possibilidade de se integrar para ganhar o uso desse espaço, o incorporando ao resto da planta durante o tempo que não fosse ocupado.

O volume principal

O volume principal foi concebido praticamente como se fosse um espaço semicoberto já que, para suas duas faces amplas, incorporamos aberturas de correr que podem ser abertas quando o clima permite numa proporção de dois terços.

Para a fachada do volume, de orientação Noroeste, se idealizou um sistema de pele dupla: à frente, uma fileira de brisés verticais de tábuas de madeira e, por trás, uma linha de carpintarias de piso a teto. Isto foi necessário para evitar a radiação direta do sol e, ao mesmo tempo, brindar um fole de privacidade que proteja as vistas desde a rua para o interior.

Este volume reúne as funções de estar-jantar, dormitório integrado de uso esporádico, um pequeno toilette (que separa o dormitório integrado do estar-jantar) e a cozinha, que está locada sobre o estremo oeste do volume, separa da sala de estar-jantar pela escada que vincula este nível com o volume dos dormitórios.

Resolução Estrutural

O volume do térreo, de caráter mais cego que o volume elevado, é resolvido de forma simples por meio de tabiques portantes e uma laje com vigas cinta.

Por outra parte, o volume superior é resolvido como uma ponte apoiada em um extremo sobre o volume dos dormitórios e, no extremo oposto, sobre um tabique de fechamento que se prolonga até se apoiar no terreno. Esta laje se sustenta mediante duas vigas que recorrem ao volume em sua direção mais ampla. Para a frente, uma viga de 40cm de altura, e para trás, uma viga invertida que funciona como uma saliência das aberturas posteriores.

A laje superior, ou da cobertura, é sustentada por duas vigas invertidas que escondem o contrapiso e o isolamento térmico.

Construção

A obra foi realizada em concreto aparente, material que unifica a estrutura e os acabamentos num único elemento. O tipo de concreto utilizado é o H21 com agregado de fluidificante: uma mistura com escassa quantidade de água que, ao forjar, se converte numa “pedra” compacta, ou seja, impermeável e resistente. Graças a este procedimento e à qualidade expressiva de concreto é desnecessário qualquer tipo de acabamento superficial. Assim é atingido um arrebatamento notável no custos de execução de acabamentos e uma necessidade nula de manutenção futura.

Para adaptar ao sistema construtivo utilizado no bosque a este novo ambiente de condições mais extremas foi necessário melhorar o isolamento térmico.

Para resolver o isolamento da cobertura do volume elevado foi realizado um contrapiso de baixa densidade que se torna oculto atrás das vigas invertidas que o contêm.

Por outro lado, para melhoro o isolamento dos tabiques exteriores, foi construída uma segunda parede de concreto na parte interior, deixando entre os dois tabiques um espaço onde foi colocado o material isolante.

Tanto nos dormitórios como na planta principal foram projetadas ventilações cruzadas para permitir a circulação de ar e permitir que a casa se refresque no verão com a bisa do mar.

Também foi implementado, na fachada principal, uma fileira de brisés-soleil para evitar a incidência direta dos raios solares sobre o fechamento de vidro. A madeira de quebracho foi escolhida de forma que diminui a manutenção.

A calefação desta casa está dada pela utilização de ar condicionado de ares quente e frio. Também foi incluída uma lareira de metal para complementar o sistema de calefação.

Os escassos tabiques interiores são de ladrilhos ocos rebocados e pintados com látex branco. Os banheiros possuem revestimento de cerâmica esmaltada branca nas paredes que não são de concreto. O piso é de panos de cimento alisado e divididos por réguas de alumínio. O encontro entre as paredes de alvenaria e o piso é resolvido com um perfil em recesso de alumínio.

Em troca, o volume superior está concebido como um volume completamente aberto e permeável, como um semicoberto propriamente dito, que se é elevado para desfrutar de visuais mais longínquos e ganhar mais iluminação natural. A implementação dos brisés diminui a incidência de raios solares e funciona como uma peneira quanto ao ingresso da luz natural, projetando sombras e gerando uma atmosfera muito particular, servindo também como fole de separação entre interior e exterior privado, ao permitir que é possível ver fora, mas evita que vejam para dentro.

Outro recurso utilizado quanto à iluminação natural é a abertura de duas claraboias no teto do volume principal, uma sobre a escada e outra sobre o setor destinado ao lugar da lareira de metal, gerando um foco de atenção e hierarquia no setor da planta destinado ao encontro familiar, uma vez que permite também a iluminação do toilette com luz natural.