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Consórcios: alternativa ao financiamento para conquistar a casa própria

  • 15 de dezembro de 2011
  • 13h12

Recursos podem ser usados na compra de imóveis novos ou usados, terrenos, reformas e construção; para especialistas, modelo é caro

Para muita gente, os consórcios são uma alternativa ao financiamento para a compra, construção ou reforma de imóveis.

A que se destina: compra de imóveis novos ou usados, aquisição de terrenos ou pagamento de reformas ou construção

Valor da carta de crédito: geralmente de R$ 50 mil a R$ 500 mil

Quanto custa:
Taxa de administração – 17% do valor da carta de crédito, em média. O montante é pago ao longo das prestações, corrigidas anualmente com base na variação do INCC (Índice Nacional de Custo da Construção)

Fundo de reserva – cerca de 2% do valor da carta de crédito. O montante é pago ao longo das prestações previstas no plano. A taxa, cobrada pela maior parte das administradoras, cobre, entre outros custos, despesas com inadimplência. Os recursos não utilizados são devolvidos no final do plano.

Prazo: até 200 meses

Como funciona
As empresas administradoras formam grupos de consorciados, que contribuem mensalmente para a formação de uma poupança comum. Conforme o regulamento do grupo, a cada mês entre dois e quatro cotistas são contemplados com a carta de crédito – pelo menos um deles por sorteio e o restante por lance.

Caso os recursos sejam destinados à reforma ou construção, o dinheiro é liberado no decorrer da obra, conforme cronograma assinado por um engenheiro responsável. No caso, o contemplado recebe antecipadamente a quantia referente à cada etapa prevista para a construção. A prática é diferente da geralmente adotada nos financiamentos bancários, em que os recursos só são liberados após o término de cada etapa. A partir da contemplação, o valor da carta de crédito passa a ser corrigido pela Selic até a total liberação dos recursos.

Consórcio ou financiamento?

Na escolha entre financiamento bancário ou consórcio, geralmente sai ganhando quem fica com a primeira opção. A avaliação é compartilhada por três especialistas em finanças: José Vieira Dutra Sobrinho, professor do Insper (ex-Ibmec-SP) e vice-presidente da Ordem dos Economistas do Brasil, Fabio Gallo, professor da FGV-SP e Ricardo Humberto Rocha, professor da FIA (Fundação Instituto de Administração).

O trio argumenta que, mesmo com taxas menores que os juros das linhas de crédito, os consórcios trazem duas desvantagens: o pagamento por um bem não recebido e o fato de ser uma poupança compulsória e não remunerada. “Pelo sistema, paga-se para poupar”, afirma Rocha. “Não é um financiamento barato, mas uma poupança cara”, emenda Gallo.

Nos cálculos de Dutra, o sistema só não é desvantajoso para os contemplados no início do plano, que têm ainda cerca de 75% das prestações a pagar. Para os demais, alega ele, geralmente sairia mais barato investir a quantia reservada ao pagamento das cotas na caderneta de poupança por período equivalente à espera pela carta de crédito e depois utilizar o montante como entrada de um financiamento imobiliário.

Como raciocínio diferente, o presidente da Associação das Empresas Administradoras de Consórcios (Abac) afirma que o sistema é vantajoso justamente por se tratar de uma poupança obrigatória. “É uma forma de não se gastar com outras coisas o dinheiro reservado à compra do bem”, diz.

Segundo ele, a grande maioria dos consorciados já vive em casa própria e, sem a pressa de sair do aluguel, opta pelo sistema para se disciplinar para comprar o segundo imóvel.

Fonte: economia.ig.com.br/financas