BLOG

Construção civil alfabetizada em João Pessoa

  • 24 de novembro de 2011
  • 15h11

Antes motivo de preconceitos, os trabalhadores de canteiros de obras têm aproveitado as oportunidades para estudar. Agora, ler e escrever faz parte do dia a dia e o índice de alfabetização nas construções tem aumentado, assim como as vantagens de ter um empregado capacitado. Para construção civil, o resultado só traz vantagens como o aumento da segurança dos empregados, que passam a ler as placas e, consequentemente, sua igualdade social. Cada vez mais as empresas oferecem cursos profissionalizantes aos trabalhadores, além dos cursos de alfabetização, que costumam formar carpinteiros, pedreiros, encanadores, pintores, entre outras especialidades relacionadas a obras.

O avanço tecnológico e as novas técnicas de construção podem ser justificativas. E a consequência desse investimento é o resultado positivo, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego. A participação de trabalhadores analfabetos na construção civil caiu 19% entre 2006 e 2010. No ano passado, eles representavam 0,99% de um contingente de 2,6 milhões de trabalhadores. Há quatro anos, eram 1,18%. Isso porque inúmeras construtoras e incorporadoras têm incentivado e ocasionado essa mudança.

O grupo PaulOOctavio dá exemplo de responsabilidade social ao promover a alfabetização de seus colaboradores. O levantamento do Ministério do Trabalho mostra que a participação de pessoas com o Ensino Médio completo, no setor de construção civil, cresceu 38% nos últimos quatro anos. Os que cursaram Ensino Superior representam 9% da força de trabalho desse setor. Mais confiantes, os empregados que concluem o ensino básico e o profissionalizante querem evoluir profissionalmente. Muitos se programam para dar o próximo passo e chegar ao nível superior.

Mas, ensinar as primeiras letras do alfabeto já não é mais suficiente para as empresas privadas do segmento da construção civil. Com a carência de mão de obra do setor, a opção é oferecer cursos profissionalizantes. Devido ao avanço tecnológico e às novas técnicas de construção, há uma necessidade natural de que as equipes estejam preparadas para lidar com metodologias e equipamentos mais modernos utilizados nas
construções, assim como a adaptação às placas e às normas.

Exemplo de pioneirismo

Grandes empresas do setor da construção civil têm investido na formação do trabalhador há mais de 20 anos. Exemplos como a PaulOOctavio Investimentos Imobiliários, a Via Engenharia, a JC Gontijo e a Conbral S/A Construtora, além do próprio sindicato já alfabetizaram, em parceria, mais de 10.000 trabalhadores. Atualmente, a preocupação tem variado entre a necessidade de saber ler para entender as placas e avisos de segurança e o crescimento pessoal do empregado.

Na Paraíba, em um canteiro de obras é instalada pela primeira vez a “Biblioteca do Saber”, numa iniciativa inédita da construtora Alliance e do SESI. (leia mais sobre a leitura e a qualificação profissional no canteiro de obras da Construtora Alliance)

Paulo Octávio, presidente do grupo PaulOOctavio, conta como foi começar a investir na alfabetização em 1989 e, hoje, ter todos os seus empregados alfabetizados. “Somos pioneiras nesse processo em todo o Brasil. Hoje, temos orgulho em dizer que todos os trabalhadores passaram pelo nosso programa de alfabetização e muitos já estão até em cursos superiores. Esse é o resultado mais positivo que podemos ter”.

O engenheiro da incorporadora, Marcílio Bione muito envolvido com o projeto, revela que nos últimos cinco anos quase 5.000 funcionários foram alfabetizados. “Hoje temos o ISO 9000, tudo vem sinalizado, com placa de segurança. É impossível alguém entrar numa obra para trabalhar e não saber ler. Hoje, diversas empresas se preocupam com segurança do empregado, em primeiro lugar”, acredita.

Fonte: SindusconJP