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Na batida do concreto

  • 07 de agosto de 2012
  • 18h08


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Fonte: Casa e Jardim

Som, luz e livre circulação. Na reforma assinada pelo arquiteto Eduardo Chalabi, tudo foi pensado para adequar ao estilo de vida do morador, o DJ Mau Mau (Maurício Bischain), 40 anos, este apartamento de 295 m² em prédio dos anos 1960 no Jardim Paulista, em São Paulo. Como o músico trabalha boa parte do tempo em casa e gosta de receber os amigos em festas, a maioria das paredes foi demolida para eliminar o excesso de cômodos e criar espaços amplos, integrados e bem iluminados.

Com a derrubada das paredes, toda a estrutura ficou exposta. O toque de modernidade veio coma remoção do reboco das vigas e dos pilares para deixar o concreto aparente. “Isso mudou a cara do apartamento”, diz o arquiteto de 33 anos, formado pela FAU-USP em 1999. Segundo ele, o projeto contemporâneo ganhou com o aspecto rude do brutalismo, estilo de arquitetura inspirado em Le Corbusier e usado entre os anos 1960 e 1970.

O concreto aparente também está na estante que cobre uma parede de 7m no estúdio do DJ, criado na área de dois dos três dormitórios. Para acomodar a coleção de 12 mil discos de vinil do músico, as prateleiras com 5 cm de espessura são pré-moldadas, de argamassa armada. “Se fossem de madeira, não aguentariam o peso”, afirma Chalabi.

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Para isolar principalmente os tons graves da música eletrônica produzida pelo DJ, o arquiteto fez tratamento acústico no estúdio. Na remoção dos tacos, que passaram por restauro, ele aproveitou para instalar uma manta emborrachada embaixo do assoalho. A música alta também é abafada pela porta de correr que fecha a área para o living. Quando aberta, ela desaparece entre a lateral da estante e a parede do banheiro social, integrando os ambientes.

Na reforma, Chalabi redistribuiu os cômodos de acordo com a necessidade do morador. O acesso para a única suíte, criada coma união do terceiro quarto, do antigo corredor e de dois banheiros, mudou para o hall de entrada. A parede reservada para o guarda-roupa foi aberta para o fosso do prédio, o que ampliou o espaço e a iluminação natural no quarto. O mesmo aconteceu na parede do novo corredor para a suíte. “Relutei em fazer isso porque aumentaria os gastos da obra, mas no final adorei o resultado: o quarto pode ser visto desde a sala”, diz o DJ, que colocou janelas com vidro antirruído e guarda-corpo nos vãos, porque ele tem dois cachorros pequenos.

Texto Marilena Dêgelo. Repórter de imagem Gabriel Valdivieso. Fotos Maíra Acayaba