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O extraordinário apartamento de papel

  • 10 de fevereiro de 2013
  • 17h02

Ter na casa um cômodo decorado com papel de parede está longe de ser uma anomalia. Possuir vários ambientes, cada um revestido com um papel de parede diferente, é mais raro – mas completamente plausível. Cobrir praticamente todas as paredes de um apartamento com uma colagem composta por quase 3 mil folhas de papel tamanho A4, de cores e motivos os mais diversos, é outra história, completamente.

É impossível permanecer indiferente ao “apartamento de papel” do designer Doug Meyer, localizado no coração do bairro do Chelsea, em Nova York. Já ao passar pela porta de entrada, o visitante é surpreendido ao se deparar com paredes e mais paredes recobertas com combinações de cores que não se repetem em nenhum momento.
A ideia surgiu uma noite, enquanto Doug desenhava estampas no computador e as imprimia em folhas de papel colorido. Divertindo-se com o resultado, ele decidiu pendurá-las na parede de seu quarto. Quando seu irmão e sócio na loja de moda e decoração Doug & Gene Meyer, Gene, veio visitá-lo alguns dias depois, sugeriu, como quem não quer nada: “Por que não transformamos isso em um projeto?”. Doug levou a brincadeira a sério.

Juntos, os irmãos decidiram criar um conceito em torno do assunto. Ao invés de um papel de parede tradicional, utilizaram cerca de 3 mil folhas de 21,5 x 28 cm cada, compradas em uma papelaria da 5ª Avenida. A escolha das cores – que abrangem os tons de azul, laranja, cinza, marrom e verde-maçã – foi influenciada pelo mobiliário do apartamento. Cerca de três semanas depois e muitas idas e vindas à papelaria, o trabalho estava concluído. O espaço se transformou em um enorme mosaico de estampas e cores. No quarto, existem aproximadamente 500 motivos diferentes. Já na cozinha, os irmãos preferiram uma certa neutralidade: para evitar acidentes com líquidos, eles revestiram apenas as prateleiras e portas dos armários.

Doug e Gene confessam ter uma paixão pela colagem. Já o gosto pela decoração vem da infância. Quando crianças, em Louisville, Kentucky, a mãe permitia que eles reformassem os quartos a cada dois anos. Gene ainda se recorda de, literalmente, destruir a decoração feita pelo designer de interiores de seus pais e colar pôsteres psicodélicos de Peter Max nas paredes e no teto.

Várias décadas e muitas folhas de papel depois, o apartamento de Doug recebe a nova experiência dos inquietos irmãos. Ao final do projeto, bastou pendurar as obras de arte que já existiam na residência, como o silk screen de Marilyn Monroe, de Andy Warhol, as fotos de Cindy Sherman e Richard Avedon e as pinturas de Nancy Lorenz e Philip Taaffe. A maior parte dos móveis já pertencia ao apartamento; o restante foi adquirido no site dos próprios irmãos, que comercializa objetos para a casa e acessórios de moda.

Fonte: Casa Vogue