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Casa sustentável e on-line

  • 08 de janeiro de 2013
  • 16h01

O futuro próximo reserva muito mais do que badulaques tecnológicos e um visual futurista para as casas. Na realidade, a grande revolução já começou e acontece silenciosamente por meio da automação, da preocupação ambiental e da interação total do lar com os moradores.

No que diz respeito às tecnologias, muita coisa deverá permanecer no formato que já conhecemos, pelo menos no visual dos móveis e revestimentos. A diferença, na verdade, estará embutida nas paredes, em discretos – porém importantes – detalhes, como consumo e materiais de fabricação. Tudo isso acompanhando as mudanças exigidas pelos consumidores. “Atualmente, eles buscam a melhor eficiência energética e design que satisfaçam as suas necessidades funcionais e emocionais”, explica Alexandre Barros Neves, da área de experiência do Usuário da Electrolux. “Uma pesquisa realizada pelo Instituto Akatu revela que 75% os brasileiros se preocupam com o desenvolvimento sustentável, pensam no futuro e nos efeitos coletivos do consumo”, completa.

O mundo na parede de casa
A comunicação entre todos os sistemas automatizados não se restringe somente a acessar os atributos e funcionalidades. Nos novos conceitos de interatividade, a moradia também se comunica com o restante do condomínio, permitindo visualizar atas de reunião, cadastro de fornecedores (como pizzarias e lavanderias), reservas de salões, câmeras de segurança e tudo o que esteja relacionado à vida em comunidade. O painel 3-Nix permite acessar todos os serviços e controles automatizados. Preço sob consulta, na Z-Wave.

Como a casa ficou mais “inteligente”?
Segundo especialistas, a diferença está na satisfação das necessidades de cada família e morador, com programas de automação que simplifiquem rotinas cotidianas – como acender as luzes, ligar equipamentos, facilitar a limpeza. Além disso, já é possível interagir por meio do celular, da internet ou até mesmo por telas instaladas em pontos estratégicos.

E como isso auxilia na sustentabilidade?
O primeiro impacto está na economia de tempo, de energia e, principalmente, no gerenciamento dos recursos disponíveis. “É possível, por exemplo, ter persianas, luzes e ar-condicionado que calculem qual é a opção com menor gasto de energia e ajam em conjunto para garantir o conforto sem desperdício”, explica Jean Pascal, diretor da empresa de automação Z-Wave. Outro exemplo são as lâmpadas. “Muitas delas, quando operam a 80% de sua capacidade, continuam visualmente iguais, mas economizam energia e aumentam em até quatro vezes o seu tempo de vida”, conta.

Como funcionam esses sistemas?
Jean Pascal, da Z-Wave, conta que os processadores estão menores e já são instalados até em pequenos equipamentos, como interruptores e sensores, que analisam os dados do ambiente e integram-se ao sistema sem a necessidade de uma central de automação, uma solução mais antiga e de alto custo. “A redução na quantidade de fios e resíduos também é enorme, apontando para projetos mais sustentáveis”, ressalta.

Para imóveis novos, o custo é menor?
Com certeza. exemplo disso são os projetos que já estão sendo implantados diretamente nos novos empreendimentos. “Sistemas que antes giravam entre R$ 25 mil e R$ 80 mil hoje partem dos R$ 6 mil”, revela Leonardo Senna, diretor da iHouse, empresa que desenvolve produtos inteligentes.

A automação está acessível?
Ainda não é possível afirmar que automatizar a casa não vá pesar no orçamento – um projeto completo, com todos os recursos, ainda exige investimento alto –, mas os especialistas apontam para uma redução gradativa dos preços ao longo dos próximos anos.

Quais os principais custos hoje?
Os gastos maiores estão nas reformas que residências não automatizadas exigem para se adequarem aos sistemas. “Entretanto, se antes este era um acessório exclusivo da classe A, agora já podemos ver a automação inserida também nos planos da classe média”, explica Leonardo Senna.

Existem outras opções?
Outra forma de fazer as mudanças – e também mais viável economicamente – é trabalhar por partes, a partir dos chamados sistemas modulares, que permitem programar a automação por etapas ou por cômodos.

O que esperar?
Nos próximos anos, sua casa será assim:
• Wireless ao extremo – A era dos fios vai acabar. Tanto para a transmissão de dados, que chegará literalmente a todos os eletrodomésticos, como também para ligar e recarregar os aparelhos, com bases de recarga instaladas sob as paredes dos imóveis.
• Sustentabilidade total – Chega de produtos que apenas tentam ser sustentáveis. Os produtos vão economizar e trazer diferenças reais na forma de lidar com o meio ambiente.
• Interfaces amigáveis e intuitivas – Esqueça os manuais. Daqui para a frente, aprender a mexer nos aparelhos será uma questão de minutos.
• O fim da manutenção – Os aparelhos contarão com sistemas de autodiagnóstico, capazes de identificar falhas e, caso seja desejado, imediatamente solicitar o reparo junto ao fabricante.

Como os eletrodomésticos vão acompanhar tantas mudanças?
Além do design, que inclui linhas limpas e capazes de acompanhar as tendências de redução de espaços e integração dos ambientes, os produtos também estarão voltados às preocupações ambientais, através da economia e da fabricação sustentável. “As pessoas não compram um produto somente pela sua funcionalidade”, explica Alexandre Barros Neves, da electrolux.

Design? Economia? Preço? O que importa para o consumidor?
“O consumidor contemporâneo prefere optar por um produto sustentável, que, além de contribuir para o meio ambiente, seja um ótimo investimento para o seu bolso”, define Alexandre Neves. Segundo ele, cerca de 70% do impacto ambiental dos eletrodomésticos acontece durante o tempo de uso do produto. Logo, quanto mais econômicos forem ao longo de sua vida útil, melhor.

O que mais vai mudar?
Além de ser possível acompanhar toda a casa a distância, a segurança deve ganhar em todos os sentidos. De sistemas de reconhecimento de voz, face e também padrões de comportamento que poderão acionar os dispositivos. “Até mesmo uma porta de serviço que se abre por um tempo ou número de vezes anormal”, conta Nelson Parisi, diretor da Psi, que lançou o Practical Life, em São Paulo. “Sensores de umidade e gás também serão comuns para evitar vazamentos e permitir casas mais ecológicas”, conclui.

Fonte: Portal Decoração