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Jardins verticais dominam cidades do Brasil

  • 30 de agosto de 2013
  • 12h08

Mudar, tornar as cidades habitáveis e fazer do espaço público o local de encontro da população. Princípio básico do urbanismo, esquecido por décadas no crescimento desordenado da urbe brasileira, esse é o foco de jovens arquitetos, paisagistas, engenheiros e voluntários que promovem, em São Paulo, o Movimento 90º.
A iniciativa anseia espalhar, pela capital, jardins verticais em empenas cegas – paredes de prédios que não têm janelas. Segundo o diretor-executivo do movimento Guil Blanche, estas paredes “habitadas” pelas áreas verdes diminuem o barulho local, aumentam a umidade e a qualidade do ar, filtram gases poluentes e é claro, agregam uma estética muito mais agradável ao entorno.

Seu sistema, uma criação do próprio movimento, é formado por módulos impermeáveis leves que são atrelados à fachada por meio de andaimes e mão-de-obra especializada. Cada uma dessas estruturas é feita de material reciclado, como tubos de pasta de dente e embalagens de leite, forrada com camadas de tecido grosso semelhante ao feltro. Já a manutenção acontece de forma automática. A irrigação é à pilha ou elétrica – definida a partir da estrutura do prédio – e a fertilização embutida no mesmo sistema.

Essa iniciativa não é solitária. Diferentes arquitetos e paisagistas pelo Brasil e pelo mundo também se utilizam de jardins verticais para agregar os mesmo valores buscados pelo Movimento 90º. Em Madri, o CaixaForum, criado pelo paisagista francês Patrick Blanc em 2007, é emblemático. Já em São Paulo, o restaurante Kaa, concluído no mesmo ano pelo Studio, levou os jardins para o interior da construção, valorizando o bem-estar durante as refeições.

Para quem quiser conferir o trabalho do Movimento 90º é preciso ir à Rua Augusta, na região dos Jardins, em São Paulo. Lá, uma escola e em lojas adjacentes tornaram-se um respiro próximo da Avenida Paulista. Mas o desejo, para os integrantes da inciativa verde, é de “habitar com os jardins” espaços cada vez mais amplos, como os grandes edifícios da região central da cidade. Que venha essa onda verde.

Fonte: Casa Vogue