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Pesquisadores desenvolvem materiais de construção sustentáveis

  • 10 de outubro de 2012
  • 14h10

A construção sustentável proporciona maneiras alternativas de usar matérias primas renováveis e naturais nas construções. Essas inovações deixam de lado os produtos industriais e artificiais que tanto prejudicam o meio ambiente. A maioria dos materiais ecologicamente corretos, além de diminuir a poluição, também permite a redução dos custos para o consumidor.

O tijolo, um dos materiais mais importantes nas construções, foi produzido usando fibra de papel como matéria prima. A pesquisa foi feita pelo professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília, Márcio Buson. O especialista criou um tijolo feito a partir da mistura de terra com fibras do papel Kraft, usado nas embalagens de cimento. Além de reutilizar o papel, que quando descartado prejudica o meio ambiente, Breson comprova em sua pesquisa que há alternativas de produzir materiais que podem ser melhores que os disponíveis no mercado.

No processo de produção, o professor dispersou as fibras incorporadas no papel Kraft e misturou com a terra. “Para cada tijolo, do tamanho padrão, utilizei fibras de um saco de cimento. No Brasil, somente em 2010, foram disponibilizados para o comercio cerca de 800 milhões de sacos de cimento, ou seja, se fossemos reaproveitar teríamos 800 milhões de tijolos”, conta.

Os estudos feitos com os tijolos de fibra de papel comprovaram que eles possuem maior resistência que os tijolos normais. “Nos testes feitos com compressão, os de fibra mostraram melhor desempenho e na avaliação da resistência ao fogo também”, afirma o professor. Os tijolos sustentáveis só não foram bem sucedidos no teste de resistência à água.“Em relação a essa deficiência desenvolvi uma solução – acrescentei seiva da planta Babosa no preparo do tijolo. A seiva faz com que o produto absorva bem menos água”, explica.

De acordo com o Buson, o papel Kraft não demora tanto para decompor. O problema é o resto de cimento que fica dentro dos sacos. “O papel, depois de cerca de seis meses se decompõe, mas o cimento demora milhares de anos, podendo contaminar o lençol freático e o solo”, afirma. Apesar de serem muito interessantes para as industrias, os tijolos de fibra ainda não estão sendo comercializados. “Produzimos em baixa escala. Foram feitos apenas protótipos para um canteiro de obras experimental”, acrescenta.

Resto de casca de arroz, resíduos de cerâmica e lodo
A engenheira civil Elisandra Medeiros também fez sua pesquisa com a intenção de encontrar formas inteligentes de produzir materiais para construção civil. Ela desenvolveu cerâmicas e blocos de tijolos compostos de cinza da casca do arroz, lenha usada nos fornos da cerâmica e lodo da estação de tratamento de águas. Cerca de 25% da composição dos produtos finais é constituída por esses restos, que na maioria das vezes, não são reutilizados e não possuem um destino ecologicamente correto.

A pesquisa foi feita para a defesa de uma tese do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil da Universidade de Brasília. Durante cinco anos, Elisandra estudou a possibilidade de usar os resíduos a fim de dar uma utilidade a eles, contribuindo para o meio ambiente. Segundo ela, as matérias primas escolhidas para a pesquisa recebem pouca atenção, mas reunidas da forma correta podem trazer bons resultados. “Esses materiais são misturados com a argila e o produto final é resistente. Foram feitos testes com a cerâmica e com os tijolos e eles passaram por todos, mostrando qualidade”, conta.

Os materiais são todos reaproveitados. Cada 83,3% de argila recebe 8,33% de cinzas de casca de arroz e 8,33% de resíduos de cerâmica. Já para 5% de lodo, são usados 95% de argila. Elisandra retirou o lodo da estação de tratamento de água da Caesb na Ceilândia. As cinzas da cerâmica são encontradas em grande quantidade nas próprias indústrias e as fábricas que produzem arroz também descartam os resíduos.

De acordo com a engenheira, o custo da produção é baixo. Pelo fato dos materiais serem descartados pelas indústrias, eles podem ser facilmente doados. “O único fator que necessita de mais recursos é o transporte”, comenta. Segundo ela, os materiais para construção foram produzidos em baixa escala, somente para a pesquisa, e não são comercializados. “Muitas empresas se interessaram, mas ainda nenhuma levou a ideia para o processo de produção”, diz.

Fonte: Lugar Certo